Bruxismo é uma desordem dentária altamente destrutiva

Quem convive com o problema de apertar e ranger os dentes enquanto dorme já deve ter ouvido a afirmação que o distúrbio tem como sua maior causa o estresse.

Um grupo de pesquisadores em dor orofacial e desordens do sono da PUC-RS, começa a dar uma nova abordagem ao problema, na qual o estresse deixa de ser o maior vilão do bruxismo para tornar-se apenas um coadjuvante. Para estes estudiosos, o distúrbio está associado à dificuldade de se respirar durante o sono leve – estágio anterior ao sono profundo.

A pesquisa demonstrou que o uso de um dispositivo de avanço mandibular (conhecido por “placa de ronco”) durante 30 dias melhorou significativamente o problema em quase 100% dos 28 pacientes estudados.

O bruxismo e a apneia têm relação à dificuldade da passagem do ar. “Imagine uma rodovia. No distúrbio, todos os carros passam com uma velocidade menor. Na apneia, nenhum carro passa”.

Alguns autores afirmam que bruxismo é todo contato de dentes que ocorre fora da função, já que o contato dos dentes só deve ocorrer na mastigação e deglutição, inclusive da saliva.

Nesses casos o tempo médio de contato diário fica em torno de 12 a 20 minutos. Qualquer contato fora disso é caracterizado como bruxismo. O distúrbio leva a uma grande força de contato entre as superfícies oclusais dos dentes superiores e inferiores e produz sons incômodos às pessoas próximas.

O primeiro estudioso do sono a descobrir a função do distúrbio para a respiração foi o cirurgião-dentista franco-canadense Gilles Lavigne. Conforme o pesquisador, quando uma pessoa está acordada, a cabeça fica na posição ereta e a mandíbula na horizontal.

Quando dorme, a cabeça fica na horizontal. A mandíbula fica na vertical e cai para trás. O bruxismo faz parte de um mecanismo de acordar/despertar, em geral no estágio do sono leve – quando a necessidade de oxigênio é maior do que no sono profundo. Sua função é manter a passagem das vias aéreas e a lubrificação da cavidade oral.

Mesmo acordado, a mandíbula é projetada à frente pelos músculos da região até os dentes entrarem em contato.

A musculatura fica tensa para evitar que a mandíbula volte a cair para trás. “É neste momento que a pessoa range e/ou aperta os dente”, observa Grossi.

Esse mecanismo evita que a mandíbula volte a cair para trás, o que reduziria novamente a passagem do ar na região do orofaringe – que fica atrás do nariz e da boca.

O bruxismo normal ou fisiológico não provoca sintomas. Já o patológico ocorre em pessoas com dificuldade de entrar em sono profundo. Quem fica muito tempo no sono leve pode ter até 40 minutos de bruxismo por noite. De manhã, tende a apresentar sensibilidade nos dentes da frente, dores de cabeça, na face e na articulação logo à frente dos ouvidos (articulação têmporo-mandibular). “Em longo prazo, corre o risco de ter desgaste excessivo dos dentes e o aumento do tamanho dos músculos da face”.

O distúrbio pode acontecer mesmo com a pessoa acordada, e sua etiologia é diferente do bruxismo do sono, e normalmente não possui sintomas. É apenas um hábito adquirido que precisa ser mudado.

Tratamento multidisciplinar

O tratamento clássico da doença pode ser feito por meio de placas para proteger dentes e relaxar os músculos. Os dispositivos de avanço mandibular ou “placas de ronco” eram originalmente usadas por pessoas com dificuldades de passagem de ar ao dormir (apneia/hipoapneia), mas essas placas agora mostraram no estudo também reduzir significativamente o bruxismo do sono.

Nem todos os casos podem ser tratados por cirurgiões-dentistas. “Se a pessoa tem problemas de bruxismo, ronco e apnéia, precisa procurar um laboratório do sono e ser avaliada por uma equipe médica, que vai investigar e fazer o diagnóstico. O tratamento  é multidisciplinar.

Um exame clínico correto vai indicar as possíveis causas do bruxismo. O tratamento vai desde uma simples orientação mastigatória com fisioterapia aplicada, até a necessidade de pequenos ajustes na oclusão removendo ou acrescentando material sobre os dentes, ou ainda com o uso de aparelhos ortopédicos funcionais.

A utilização de placas protetoras noturnas apenas impede um desgaste excessivo do esmalte dentário, porem modifica a altura da oclusão durante o período de uso. Durante o dia, sem a placa, a boca oclui em altura diferente podendo levar a uma desorganização do controle muscular.

Nem de longe o termo bruxismo é algo relacionado à bruxaria. No vocabulário odontológico significa apertamento dos dentes. O termo é derivado do francês “la bruxomanie”, utilizado para identificar um problema dentário desencadeado pelo movimento anormal da mandíbula.

Normalmente o ruído é tão forte, em intervalos intermitentes, que se assemelham com o barulho do atrito de duas pedras de granito. Somente alguns casos são diagnosticados precocemente, pois a pessoa portadora desse hábito não sabe o barulho que faz e muitas vezes, continua dormindo tranquilamente.

.Em compensação, a companheira ou companheiro que dorme junto é quem sofre ainda mais, mas, quase sempre, dá o alarme tardiamente, quando o desgaste dos dentes e a queda na qualidade de vida do paciente já estão em fase adiantada.

Um avaliação odontológica somada a uma abordagem homeopática, podem ajudar a controlar e tratar este problema.

Dra. Jussara S. Jorge Giorgi

Fonte: Paraná Online

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Ranger dentes: porque isso acontece?

É um mal da vida moderna. A irritação e o estresse do dia-a-dia prejudicam o sono e podem causar complicações ainda maiores.

Alguns pacientes  descobrem que tem bruxismo depois que um dente fratura de tanto pressionar a arcada dentária durante a noite. Relatam que acordam com dor na mandíbula, os dentes muito apertados.

O bruxismo é mais um mal comum na vida moderna. A correria do dia-a-dia, a ansiedade e, principalmente, o estresse agravam esta disfunção que muitas pessoas têm, mas nem sabem.  Os danos para quem não cuida do bruxismo são crescentes.

“Bruxismo vai como dominó, no começo a pessoa não liga muito. Pensa que desgastou um pouquinho o dente, mas aquilo vai caminhando. Aí a pessoa sente o dente mole. No grau mais severo, pode causar problema na articulação. Estalos quando abre a boca.

A disfunção ocorre à noite. O próprio dia-a-dia do indivíduo faz com que ele manifeste mais ou menos. Se está mais estressado, mais irritado, pode potencializar o ranger de dentes. Além do emocional, o fator hereditário e alterações na mordida (oclusão), podem ser os fatores desencadeantes do problema. Quando você tem um desequilíbrio, um dente fora de posição, uma restauração mais alta, uma coroa, uma prótese desbalanceada,  isso pode acabar gerando bruxismo.

Os dentistas indicam para a maioria dos pacientes uma placa de acrílico. Ela ameniza os sintomas e controla o desgaste dos dentes durante o sono. Mudar alguns hábitos também pode ajudar, como escovar os dentes com escovas ultra-macias para não agredir ainda mais o esmalte do dente; evitar tomar bebidas que contenham cafeína e não fazer exercícios antes de se deitar, são algumas dicas.

Além de prejudicar o sono, o bruxismo também pode causar enxaqueca e até problemas no pescoço e nas costas, por causa da tensão dos músculos da face.

Uma abordagem homeopática pode ajudar a compreender melhor a pessoa que range os dentes. Além da técnica, instalação de aparelhos e etc, a valorização sintomática dos sintomas apresentados e o porque isso acontece, auxiliam e muito na seleção do medicamento homeopático individualizado.Consulte , um cirurgião dentista homeopata.

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Entenda quais são os problemas da ATM (articulação temporo mandibular)

O que é ATM?

ATM é a abreviatura de “Articulação TemporoMandibular”. Essa articulação situa-se logo à frente do ouvido e é responsável pelos movimentos executados pela mandíbula.

Qual é a principal característica de um paciente que tem problemas de ATM?

O principal indicativo de uma alteração na ATM é o estalido (clique), normalmente acompanhado de dor que se manifesta na cabeça, face, pescoço, olhos e dentes. A ausência de dor não é sinal de normalidade. O estalido (clique), por si só, já traduz problemas nas ATMs.

Quais as principais causas dos problemas de ATMs?

Toda e qualquer doença necessita de mais de um fator para a sua ocorrência. O fator principal deve ser acompanhado dos fatores que contribuem, modificam ou perpetuam a doença. No caso da disfunção das ATMs, acredita-se que o fator principal seja a maloclusão (relacionamento inadequado entre os dentes da maxila e mandíbula), sendo o “stress”, os hábitos parafuncionais e algumas doenças sistêmicas ou hormonais capazes de contribuir, modificar ou perpetuar o seu aparecimento. Contudo, sabe-se que a ordem dos fatores principais e secundários pode alterar-se, havendo diferentes pesos no julgamento de quem é o agente iniciador da disfunção.

Por que acontece o estalido (clique) nas ATMs?

Entre as faces articulares dos ossos que compõem as ATMs (osso temporal e côndilo da mandíbula), existe uma estrutura fibrocartilaginosa chamada disco articular, cujas principais funções são amortecer e amoldar as superfícies ósseas incongruentes da articulação, evitando traumas e desgastes prematuros. Quando o disco articular se desloca de sua posição fisiológica, acontece o estalido (clique), notado nos movimentos mandibulares, tais como: falar, mastigar, cantar, bocejar etc.

Por que o problema de ATM pode causar dor de cabeça?

As dores de cabeça provenientes das disfunções de ATM, em geral, não são propriamente de cabeça: são dores nos músculos que envolvem a cabeça. Posições posturais viciosas, relacionamento dental inadequado, apertamento e/ou ranger de dentes, associados ao “stress”, normalmente culminam em quadros crônicos de dores nos músculos da face, da cabeça e do pescoço.

Por que o problema de ATM pode causar dor de ouvido?

A proximidade entre a ATM e o ouvido pode ocasionalmente confundir o paciente sobre o local de origem da dor. Na realidade, a dor de ouvido é diferente da dor de ATM. Como diagnóstico diferencial, as disfunções das ATMs não manifestam febre, não eliminam secreção pelos ouvidos e não são acompanhadas por quadros infecciosos das vias aéreas superiores. Existe relação entre dentes e ATM?Sim. O “encaixe dental” (oclusão) é responsável pela posição do côndilo (cabeça da mandíbula) dentro da articulação. Ocluir os dentes mais para a frente, para trás ou para os lados traz conseqüências para as ATMs. O ideal é que a oclusão tenha um relacionamento adequado, para manter côndilo e disco articular harmônicos e bem posicionados entre si, a fim de que a articulação seja saudável.

Qual é o tratamento indicado?

O tratamento é multi-fatorial. Depende do estágio da disfunção e principais causas. O Cirurgião-Dentista deve estar habilitado para detectar e tratar da DTM

Quais são as conseqüências do não-tratamento?

A disfunção temporomandibular é uma doença que, depois de instalada, é quase sempre progressiva. O que não se consegue determinar com exatidão é a sua velocidade de progressão e as suas conseqüências. Portanto, o ideal é o tratamento precoce, que certamente proporciona melhores soluções e resultados.

O que é dor orofacial?

Dor orofacial pode ser definida como uma dor que acomete a região orofacial, ou seja, a boca, a face, a cabeça e o pescoço. São dores que podem ocorrer devido a problemas musculares, da articulação temporomandibular (ATM), dos dentes, dos vasos sanguíneos e/ou dos nervos. Dentre as condições dolorosas mais comuns da região orofacial, destacam-se as dores de origem músculo-esquelética, mais conhecidas pelo termo disfunções temporomandibulares (DTMs).

O que é DTM?

DTM é um termo que inclui um número de problemas clínicos que envolvem a musculatura mastigatória, a ATM e estruturas associadas, ou ambas. Pode gerar dores de cabeça, cansaço muscular, dor nas ATMs, dores próximas à região do ouvido, dores na região do pescoço, mordida instável e/ou dificuldade de mastigação.

Quais são os sintomas mais comuns?

Dor na região do ouvido sem infecção, dor ou desconforto na região da ATM mais comumente ao acordar ou no final da tarde, dor na ATM durante a fala ou a mastigação, dificuldade para abrir ou fechar a boca, cansaço nos músculos da face e/ou da mastigação, sensibilidade dentária quando não há nenhum problema aparente.

O que pode causar DTM?

Cada indivíduo engole cerca de 2.000 vezes por dia, o que gera o contato dos dentes superiores e inferiores. Assim, situações como mordida instável, dentes perdidos, mau alinhamento dentário, apertamento e/ou rangido dos dentes (também conhecido como bruxismo), trauma na cabeça ou no pescoço e má postura podem causar problemas, pois os músculos têm de trabalhar mais para compensar essas falhas. Assim, os músculos podem entrar em fadiga e alterar toda a função do sistema mastigatório, causando dor e desconforto.

O que é o bruxismo?

Bruxismo é o apertamento ou rangido dos dentes, que pode ocorrer enquanto o indivíduo está acordado ou dormindo. É uma atividade danosa ao sistema mastigatório, pois pode gerar desgaste dos dentes ou dor muscular, entre outros problemas. Indivíduos com dentes desgastados, portanto, necessitam de uma avaliação para verificar se possuem quadro de bruxismo ativo e se há necessidade de tratamento. É importante ressaltar que alguns medicamentos podem induzir ou agravar essa situação.

O que eu posso fazer para tratar a DTM?

A maioria dos casos pode ser tratada pela promoção de repouso das articulações e dos músculos mastigatórios. Isso pode ser conseguido por meio de manobras odontológicas, como por exemplo, a confecção de placas oclusais, utilização de medicamentos e, fundamentalmente, pela aquisição de novos hábitos saudáveis. Em muitos casos, o paciente po­de apresentar melhora com manobras simples, como adoção de dieta com alimentos macios, exercícios físicos para os músculos da mastigação, educação das funções mastigatórias, compressas quentes e frias e controle do apertamento dentário. Em casos muito específicos, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.

A DTM é permanente?

Essa condição é episódica e pode ocorrer em fases de estresse ou após algum evento físico (como um trauma) ou emocional. É fundamental, entretanto, que o paciente procure por tratamento para que a dor não se torne crônica (de longa duração), o que torna o tratamento muito mais difícil.

Dra. Jussara Jorge-Giorgi

Especializada em ATM  jusjg@terra.com.br

Fonte consultada : http://bucomaxilofacial.blogspot.com/

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