Pesquisa indica que os profissionais da odontologia podem registrar e denunciar comportamentos e marcas de abuso percebidas nas crianças, como ferimentos nos lábios.
AGÊNCIA NOTISA – De acordo com estudo publicado no periódico Ciência & Saúde Coletiva, dentistas podem e devem registrar e denunciar sinais como queimaduras, lacerações dos tecidos duros e moles, marcas de mordida, hematomas e outros sinais que identifiquem em crianças, uma vez que essas marcas são consideradas sintomas de violência doméstica. O trabalho é de autoria de Andreza Cristina Massoni, da Pós-Graduação em Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de Pernambuco
Os pesquisadores comentam no artigo que “os maus-tratos infantis acontecem em geral dentro de casa”, que “independem da classe socioeconômica, nível de instrução, família, religião e cultura” e que, no entanto, “o estresse em família, seja ele financeiro, por separação, doença, uso de drogas ou desemprego, pode contribuir para o ocorrido”.
No que diz respeito às lesões o grupo declara que “ferimentos orofaciais não-acidentais decorrentes do abuso físico incluem o trauma dos tecidos duros e moles, além de queimaduras, lacerações, fraturas, marcas de mordida (tópico observado separadamente) e os hematomas em vários estágios de cura. É importante observar que a boca é frequentemente traumatizada nos casos do abuso infantil por causa de sua associação psicológica com a pessoa agredida”. Por exemplo, os lábios da vítima “podem apresentar hematoma, lacerações, cicatrizes do trauma persistente, queimaduras causadas por alimento quente ou cigarros, equimose, arranhão ou cicatrizes nas comissuras, indicativos da utilização de mordaça”.
Para Andrezza e colegas, “a imediata identificação e relato de maus-tratos e negligência odontológica infantil pelo cirurgião-dentista são essenciais para a proteção das crianças. Assim, é fundamental uma maior atuação destes profissionais, através da observação, registro e denúncia dos casos suspeitos às agências de proteção à criança, para evitar que outras agressões tornem a ocorrer”. Eles concluem: “sabe-se que a denúncia de maus-tratos não é fácil, mas assegurar a segurança da criança deve ser prioridade. Além disso, relatar significa contribuir e assumir a responsabilidade profissional inerente à profissão odontológica”.
Para ler o artigo na íntegra, acesse: Scielo
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